Mostrando postagens com marcador federico fellini. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador federico fellini. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Filmospectiva 2011


(Assistidos esse ano, não necessariamente produzidos/exibidos em 2011)

A Decepção: Melancholia, dir. Lars Von Trier, Den/Sue/Fra/Ale, 2011
Não é um filme ruim, mas não chega aos pés de seus trabalhos anteriores. O filme demora a dizer a que veio e quando diz, me pareceu um pouco óbvio. Óbvio é algo que nunca tinha visto na obra de Von Trier e isso me decepcionou.
*****
A Surpresa: A Suprema Felicidade, dir. Arnaldo Jabor, Brasil, 2010
Ouvi muita gente dizendo que o filme era chato. Dei ouvidos e não fui ver. No CineFest Buenos Aires, depois de caminhar muito pela cidade, resolvi assistir. Que filme magnífico. Uma obra de quem teve infância. Uma obra de quem já viu muitos filmes (principalmente Fellini). Uma obra de um Homem (com "H" maíusculo) que observa seus arredores e entende e ama o Rio de Janeiro. Se Toda Nudez Será Castigada não é uma obra prima (a peça é), hoje credito a culpa à falta de grana. Pela primeira vez, Jabor teve um orçamento decente à sua disposição e gastou muito bem cada centavo. A narrativa é mágica e, ao contrário de muitas produções nacionais, a parte técnica é impecável.


*****
Los Hermanos: Un Cuento Chino, dir. Sebastián Borensztein, Arg/Esp, 2011
Um Conto Chinês começa lento. Ricardo Darín faz o papel mal humorado de sempre. Parece que tudo vai dar em mesmice. De repente, a trama começa a me envolver e não consigo mais tirar os olhos da tela. A meia hora final é emocionante e me fez lacrimejar. O diretor é sempre sutil sem querer se mostrar presente na película e esse é um dos trunfos do filme.


*****
Trabalha bem pra cacete: Carlos, dir. Olivier Assayas, Fra/Ale, 2010
Édgar Ramírez encarna o famoso terrorista/revolucionário Carlos, o Chacal. O ator venezuelano entrega uma performance magnífica. Ele dá uma de De Niro e aparece atlético na fase jovem e barrigudo quando mais velho. Na trama, fala fluentemente inglês, espanhol, francês, alemão e engana com algumas palavras em árabe. Demonstra facialmente todos os seus dilemas e angústias. Um ator completo numa história muito bem construída em três episódios para a Tv francesa.


*****
Tv com cara de cinema: HBO
Se o cinema americano vive uma crise de boas histórias, o mesmo não pode ser dito de sua televisão. As melhores coisas que vi da dramaturgia americana foram em forma de séries. Enquanto o cinema mira grandes públicos de milhões de pessoas (e como tal, tem que criar tramas para agradar a todos), a tv a cabo mira em pequenos nichos de 5 milhões de espectadores. Dessa forma, ela cria conteúdo específico para públicos específicos. Isso beneficia os roteiros. Boardwalk Empire que se passa durante a lei seca em Atlantic City é primoroso e mata as saudades de quem adorava The Sopranos.


Mildred Pierce comprova que Kate Winslet é das melhores atrizes vivas e que o diretor Todd Haynes entende tudo de mulher.


Game of Thrones é uma jóia rara. É um Senhor dos Anéis para adultos. Atores fabulosos, figurinos perfeitos, efeitos especiais de babar, direção espetacular, uma trama política envolta de sexo e violência e um anão. O anão é demais. Trabalho de gênio feito para a televisão, mas com cara de épico cinematográfico.


*****
Besteirol: The Hangover, dir. Todd Phillips, USA, 2009
Muito engraçado. Segue a mesma fórmula clássica de qualquer comédia, mas o escracho é século XXI. Deixa Porky's e American Pie com ciúmes.
*****
Injeção de ânimo: The Fighter, dir. David O. Russell, USA, 2010
Filmes de boxe são geralmente sobre superação e este não é diferente. Vi esse filme numa fase difícil da minha vida e saí do cinema revigorado. Todo o elenco é muito bom, mas Christian Bale é um ator excepcional. David O. Russell tem um vigor de moleque e é um cara do qual já sou fã há algum tempo. Já que na vida real fica difícil, nada como ver um bom personagem resolvendo seus problemas metendo a porrada em geral.


*****
Maestro: Terrence Malick
Malick era daqueles diretores que eu sempre pensava: "quase". Seu primeiro filme que vi foi Além da Linha Vermelha/The Thin Red Line. A sequência inicial numa tribo é magistral. A paixão do diretor pela natureza é transplantada para a tela de uma forma linda. Mas, ficou por aí. Vi Badlands com Martin Sheen e fiquei com a mesma impressão: bom, mas não chega a ser uma grande obra. A Árvore da Vida acabou com essa sensação. Acho curioso que muitos disseram que era um filme experimental. Não tem nada de experimental. O filme não poderia ser mais clássico. Narrativa forte e consistente apoiada por um Brad Pitt cada dia melhor. Já virou cult. Fui atrás de outros filmes de Malick e vi Days of Heaven com Richard Gere (meu ídolo dos anos 80). Outro esplendor. Terrence Malick é gênio.


*****
A Obra Prima: Incendies, dir. Denis Villeneuve, Can/Fra, 2010
Um orfanato. Crianças tendo suas cabeças raspadas ao som de Radiohead. A câmera se movimenta lentamente. Que força. Que poder. A trama de dois irmãos gêmeos que têm que encontrar seu pai a pedido de sua falecida mãe. Palestina, violência, paixão, estupro, emoção. Um épico no médio oriente filmado com a agressividade de planos abertos ao extremo e close-ups torturantes. Um filme que dói. Um filme que alimenta. Maravilhoso.


Não, eu infelizmente não vi a Pele que Habito. Almodóvar por si só já seria uma categoria.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Calvário Feroz: Entre os gols da Seleção e o Tango, a Vida Imita a Arte. Parte VI.

Tudo pronto. Luzes: não são necessárias porque o filme é ao ar livre. Câmera: alugada. Ação: impossível. O diretor está imóvel.
Com exceção do figurino, que ainda precisava de algumas peças, tudo estava praticamente pronto. Faltava apresentar a locação para os atores se ambientarem e esperar o fim-de-semana passar para começarmos a gravar (a ação se passa no Parque da Floresta da Tijuca e durante o fim de semana o fluxo de turistas é muito grande).
No início da semana, eis que a gloriosa Rede Globo decide expandir a novela Caminho das Índias por mais duas semanas. O protagonista do meu curta está na novela, inviabilizando a nossa filmagem nos dias 31 de Agosto, 1 e 2 de Setembro. Só poderíamos rodar no meio de Setembro. Obviamente, isso não era culpa do protagonista que apenas cumpria seu contrato com a Globo, mas a necessidade de remarcar o filme deu uma quebra na produção.
Todos no filme estão trabalhando “por amor” (termo atenuante que significa trabalhar de graça) e ao remarcar a data de filmagem, o ritmo de trabalho de todos parou por completo. A culpa disso é única e exclusivamente minha.
*****
Justamente no dia em que escrevi pela última vez neste blog, fui para a minha famigerada pelada. Eu sou um convicto perna de pau, mas mesmo assim, insistem em me escalar como centro avante. Isso se deve ao fato de um inspirado e milagroso dia em que permaneci na banheira e marquei quatro improváveis gols. Eis que ao disputar uma bola bruscamente, como se estivesse num campeonato profissional, piso errado e deposito o peso do meu corpo em cima do pé esquerdo. Fratura!!! Para aqueles que não me conhecem, sim, sou eu na foto que ilustra esta postagem. A vida imita a arte visto que o personagem do filme está com a perna quebrada e anda de muletas durante todo o filme. Pelo menos agora consegui a muleta que precisava para o filme…
*****
Meu pai tinha marcado uma viagem para que nós fossemos à Argentina ver o jogo do Brasil. Coincidentemente estava marcada para o dia 3 de Setembro, um dia depois do que seria a filmagem. O filme estava cancelado momentaneamente e não deixaria que um pé quebrado me impedisse de viajar.
Fui, subi o estádio de muletas, gritei, pulei igual Saci com os gols históricos da seleção e só não dancei tango porque aí já seria demais. Voltei com as mãos quase em carne viva por causa das muletas e hiper-cansado. Meu pé latejou por uma semana que fiquei na cama sem vontade sequer de ir ao banheiro. O curta que tentava rodar desde o começo do ano estava adiado novamente. A imobilidade me trouxe a um estado de semi-depressão. Me lembrei muito de 8½, filme de Federico Fellini em que um diretor de cinema em crise da meia-idade não consegue rodar um filme. Ele enrola o produtor e os atores e o filme nunca acontece.
Hoje me lembrei também de um filme pouco visto chamado Coração de Caçador (White Hunter, Black Heart), o primeiro filme que vi com Clint Eastwood. Vagamente inspirado na filmagem de Uma Aventura na África (African Queen) dirigido por John Huston, Eastwood interpreta o diretor que abandona as filmagens constantemente para caçar elefantes na África. O rosto de Clint na última cena do filme (talvez sua melhor interpretação facial de todos os tempos) passa toda a sua decepção com o mundo cinematográfico e com sua pouca vontade de estar ali dirigindo aquele filme.
Numa escala infinitamente menor, sinto-me várias vezes “deprimido” com meus projetos. As dificuldades e obstáculos que consistem rodar um filme me colocam à prova o tempo todo. “Caramba, já tenho 30 anos”, repito em minha mente. Acho que isso se deve ao fato de nunca ter realmente experimentado o gosto do sucesso. Não o da fama, mas o sucesso comigo mesmo, de me sentir querido como artista. Já participei de festivais e meus filmes sempre foram bem recebidos pelo público, mas falta algo…
*****
Minha barba é rala e cheia de falhas. Quando fico com preguiça e não a faço, é uma visão ridícula. É como aquele bigodinho ralo de mexicano que os adolescentes adoram exibir. Decidi não fazer a barba até que consiga rodar o filme. Ontem, a mulher do protagonista me perguntou se era promessa. Não, é castigo mesmo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Vim, Vi, Curti (ou NãO)

KINO - L'instinct de mort/Inimigo Público Nº1, dir. Jean-François Richet, France/Canada/Italia, 2008.

Uma cena no ínicio mostra que o protagonista não gosta de seguir ordens. Uma cena com o pai mostra que o protagonista quer ser o oposto do patriarca dominado pela esposa. Tirando isso, não existem mais explicações para o comportamento violento e suicida do biografado. É um filme de ação vazio com muito sangue? Sim, mas só por não ser americano e estrelar o nervoso Vince Cassel, já vale o ingresso. Guardadas as devidas proporções, me lembrou Borsalino & Co., com Alain Delon, que é um clássico.

KINO 2 - Nunta muta/Casamento Silencioso, dir. Horatiu Malaele, Romania/Luxembourg/France, 2008.

Soluções visuais mirabolantes e eficazes. Reverência ao cinema mudo. Interessante como o público no cinema faz mais barulho que os atores na tela que precisam celebrar um casamento sem que o exército soviético perceba. A magia na tela me lembrou Fellini...

KINO 3 - A Festa da Menina Morta, dir. Matheus Nachtergaele, Brasil, 2009.

Os planos sequência nem sempre fazem sentido no filme. Às vezes o diretor parece bem seguro e o filme desenrola bem, mas quando cisma de copiar o estilo de Cláudio Assis, ele se perde.

ANTENA - Som & Fúria, dir. Fernando Meirelles, Brasil, 2009.


Sem grandes inovações apesar de eficaz e engraçado. De original, somente o fato de duas personagens fumarem maconha sem serem taxadas de bandidas, perdidas ou loucas (coisa que 35 anos de novelas na Globo nunca mostrou).