quarta-feira, 31 de março de 2010
Mais um plano sequência para a CoLeÇÃo
sábado, 27 de março de 2010
Fragmentos de um roteiro cinematográfico SOBRE os Nardoni
- Em razão dessa decisão passo a decidir que a pena seja imposta a cada um dos acusados em relação a este crime de homicídio pelo qual foram considerados culpados pelo conselho de sentença.
Um CIDADÃO, 60, ouve o que o repórter disse e reage.
CIDADÃO
(histérico)
- Eles foram condenados? Eles foram condenados! Eles foram condenados!
A multidão grita em uníssono. As pessoas levantam cartazes que clamavam por justiça. Idosas se abraçam. Adolescentes riem.
Fogos de artifício rompem os céus. A população comemora com alegria.
INT. CARRO DA POLÍCIA - NOITE
ALEXANDRE NARDONI, 45, abatido, algemado, observa os fogos pela janela do carro. Um POLICIAL, 35, está encostado ao carro. Ele observa ANNA JATOBÁ, 26, magra, algemada, entrando em outro carro da polícia.
Ela olha para Alexandre. Então, abaixa a cabeça e desaparece por trás do insulfilm da porta do carro que se fecha.
O policial volta sua atenção para Alexandre. O prisioneiro mantém o olhar fixo no carro onde está Anna Carolina.
POLICIAL
- Se isso aqui fosse um filme de Hollywood, essa ia ser a parte que íamos ver um flashback onde a gente ia descobrir se vocês eram culpados ou inocentes.
Alexandre olha para os fogos de artifício que estouram no céu.
ALEXANDRE
- Só que isso aqui não é filme. Não é Big Brother.
(olhando nos olhos do policial)
Isso aqui é a vida real.
FADE OUT.
O som dos fogos de artifício torna-se ensurdecedor.
FIM.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Vim, Vi, Curti (Ou NãO)
Produção de Fernando Dolabella traz o texto de Plínio Marcos para o shopping da Gávea. Aula de interpretação e incorporação de um personagem: André Gonçalves. Arrebenta.
Tenso. Sutil em sentimentos. A transição final é maneira. Bom filme, apesar de ter ganho o Oscar...
Um colega de faculdade, que me introduziu aos filmes dos Coen Brothers, após ver O Brother Where Art Thou/E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (a tradução brasileira é ridícula visto que o título original é em inglês arcaico e a tradução usa gírias contemporâneas), disse: É um filme em que os Coen Brothers tentam ser os Coen Brothers.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Locações in Loco - Desfile das Campeãs
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Locações in Loco
Photos by Venturi (13/02/2010 Desfile da Rocinha no Sambódromo pelo grupo de acesso. Meu 4º ano cobrindo o carnaval na avenida):
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Comentário Lampejante
The Horror! The Horror! Fiquei paralisado ao ver a lista dos 10 livros mais vendidos no país. Tem alguma coisa errada num mundo literário em que um único autor consegue emplacar 5 de seus livros no top 10. J.R.R. Tolkien é o nome da criança e Senhor dos Anéis é o nome de sua praga, quer dizer, obra. Stephenie Meyer, autora dos eclipses lunares, tinha 3 livros na lista.
Caaaaaaaaan't live... Na lista dos dez discos mais vendidos de 2009, o abençoado Padre Fábio de Melo tem 3 discos. Victor e Léo têm também 3 discos na lista.quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Calvário Feroz: Aplauso ERETO para a PeÇa EscoceSA. Parte IX
Debatido e comentado exaustivamente em diversas postagens deste blog; todos sabem que o curta que rodei no ano passado foi um plano sequência. Mesmo assim continuo ouvindo a pergunta: Já editou? Parece uma pergunta sem lógica visto que não existem cortes a serem feitos, mas no fundo, tem razão de ser. Só que, a edição está no som.
Fui assistir a um ensaio aberto de MacBeth dirigido por Aderbal Freire Filho e com Daniel Dantas como protagonista. Reza a lenda que MacBeth é uma peça amaldiçoada. Os supersticiosos teatrais se recusam a chamá-la pelo nome, referindo-se a ela apenas como a "Peça Escocesa". Minha cunhada, que é portuguesa, acompanhava-me.Cidadão Kane tem uma das mais famosas cenas de aplauso da história. O protagonista vivido por Orson Welles tenta emplacar sua amante como cantora de ópera. Ele que sempre conseguiu tudo devido ao seu imenso poder na mídia, não consegue que os críticos elogiem sua cônjuge (ela é ruim de dar dó). Chega ao fim mais uma de inúmeras apresentações fracassadas. O público sequer aplaude. Irritado, o magnata levanta-se e começa a aplaudir insanamente. Só se ouve sua ovação. Patético, impotente, ele para e senta-se.
A trilha sonora do meu filme - Ferocidade: entre a Urbe e a Flora- tem evoluído entre gaitas e sons de cigarras. Espero concluir essa mixagem até o início do carnaval. Quero esse filme pronto logo. Quero que as pessoas assistam. E mais que tudo, QUERO que me aplaudam- sentados ou em pé.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O que aconteceria se VOCÊ não tiveSSe MeDo?
Li o título desta postagem num grafite na Tijuca. Voltava de carro com a minha mulher e a pichação estava num prédio, num 5º ou 6º andar. Será que o pichador teve medo de subir tão alto?
O medo serve como um alerta para situações que consideramos perigosas, sejam elas físicas ou psicológicas. O medo pode ser benéfico ou maléfico, dependendo de sua intensidade ou constância. O que aconteceria se NINGUÉM tivesse medo? Veríamos o Baixinho da Kaiser enfrentando o Vitor Belfort. As velhinhas dirigiriam a 200 km/h. O mundo seria um caos.
Quando era adolescente, briguei com dois caras que me meteram o cacete. Só fiquei com a boca inchada porque o dono do bar interviu e isso me deu tempo de levantar e sair fora. Caso o dono da birosca não tivesse entrado no meio da confusão, não sei em que estado teria saído de lá. A briga só começou porque eu me senti na obrigação de machão de defender uma menina que eu mal conhecia. Fui petulante e inconsequente e me ferrei.
Foi quando ouvi pela primeira vez a frase: "É melhor ser um covarde medroso vivo, do que um herói corajoso morto." Já tinha ouvido - "Quem tem cú, tem medO" - mas por alguma razão não tinha achado muito filosófico. Hoje, acredito que não posso ser um covarde ou herói 100% do tempo, e sim, mesclar ambos nos devidos momentos. O herói que enfrenta porteiros de boate, briga com desconhecidos ou pula de paraquedas já existe há alguns anos. Esse herói só me deu problemas. Desejo que surja o herói que escreve sem parar, que desenvolve seus projetos e luta por seus sonhos e objetivos de vida.
Se o filme 2012 estiver certo e o mundo for mesmo acabar daqui há dois anos, tenho pouco tempo. O furacão precisa chegar logo em Vera Cruz.
Imagens: 1-foto título: http://s419.photobucket.com/albums/pp271/misstybooo/?action=view¤t=Fear_by_seppe123.jpg&newest=1
2-O Grito de Edvard Munch.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Calvário Feroz: Olhar de Medusa. Parte VIII
Um plano sequência no parque da Tijuca em pleno feriado. Tudo preparado para o desastre. A câmera passa e a tendência dos transeuntes é olhar diretamente na lente. Quando continuam andando, a equipe está no lucro, porque a maioria empaca ao ver a câmera. É impressionante! Assistentes de produção pedem para as pessoas continuarem andando, mas elas não conseguem.O poder da câmera é intenso, hipnotizante. A câmera faz o papel da Medusa que transformava em pedra aqueles que ousavam olhar diretamente em seus olhos.
(da esquerda para a direita. em pé: Pedro Fasanello, direção de arte; Mariana, maquiagem; Yan Saldanha, som; Adriano Guerra, assistente de direção e boom; Beto Thomé, steady cam; Fernando Dolabella, ator; José Amarílio Jr, direção de fotografia. sentados: Marina Rigueira, atriz; Pedro Piu, assistente de produção; Cláudio Barros, produtor; Eu; Laura Carvalho, claquete e assistente de produção; Márcio Vito, ator.)
sábado, 31 de outubro de 2009
Calvário Feroz: O mentor aconselha...Parte VII
"Garanto que estresse demais imobiliza a criatividade (...) quanto mais o artista sofre, menos criativo ele fica (...) A essa altura alguém pode mencionar Vincent Van Gogh, como exemplo de um pintor que fez coisas maravilhosas a despeito ou por conta do sofrimento. Acredito que Van Gogh teria feito coisas ainda mais maravilhosas se não fossem pelas restrições impostas pelo sofrimento."segunda-feira, 26 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Tarantino é o caralho, foda mesmo é o LaRs VoN TrIEr
Para aqueles que estão acostumados com meus títulos intelecto-pseudo-prepotentes, mas que nunca tiveram termos chulos, peço desculpas. Os referidos palavrões nada mais são do que uma forma de chamar a atenção para o cúmulo da arrogância que se apossou de mim.Confesso que ao sair do cinema após assistir Anticristo (Antichrist, dir. Lars Von Trier, Danmark-Deutschland-France-Svenska-Italia-Polska, 2009) fiquei extasiado e irritado. Extasiado por ter visto uma obra prima e irritado por todos só falarem dele: Quentin Tarantino e seus Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, dir. Quentin Tarantino, USA-Deutschland, 2009). Mesmo sem ter visto o filme de Quentin, gritei no meio da rua: Tarantino é o caralho, foda mesmo é o Lars Von Trier.
Como era possível que não tinha ouvido ninguém comentar sobre Antichrist???? Um filme primoroso, bem construído com apenas dois atores, com cenas super poderosas e chocantes e que me faz refletir até ao momento em que agora escrevo. A fotografia é revolucionária e Von Trier faz uso de um super-slow (obtido com uma câmera Phantom HD) que Tarkovsky não imaginaria ser possível (Von Trier dedicou o filme ao mestre russo, o que causou incômodo entre os críticos franceses no Festival de Cannes). Anticristo tem uma das melhores aberturas que já vi. No entanto, só me cuspiam no ouvido elogios à maestria de Tarantino e seu novo filme. Vi o trailer do filme em que Hitler grita: Nein! Nein! Nein! cortando para um Brad Pitt gritando: Yes! Yes! Yes!. Como seria possível que algo assim desse num bom filme?
*****
Ontem resolvi ir ver o filme bastardo. Numa caminhada que não durou nem 10 minutos, comecei a sentir como se já andasse há horas. Foi quando me apercebi que estava ansioso e excitado para ver o filme de Quentin. Lembrei de quanto fui injusto com ele ao dizer várias vezes que Pulp Fiction não era uma obra de arte. Logo eu que me impressionei profundamente ao ver esse filme em 94. Achei o filme tão revolucionário que influenciou várias coisas que escrevi depois. Cheguei a apostar com o meu pai que o filme ganharia todos os Oscars (naquela época ainda assistia aos Oscars, acreditava em Papai Noel e que o Brasil seria a potência do final do século XX).
Mas aí, fui para a faculdade de cinema. Assisti aos mestres russos, à nouvelle vague, aos clássicos americanos da década de 70... Revi Cães de Aluguel e tudo me parecia falado demais, longo demais, falso demais. O entretenimento puro me parecia menor se comparado à um Ran ou à um Taxi Driver. Hoje, consigo diferenciar um Duro de Matar dum Fellini 8 e meio e apreciar ambos pelos seus próprios méritos.
Quando estava quase chegando ao cinema, senti que tinha injustiçado Tarantino durante vários anos. Tanto que volto agora a colocar Pulp Fiction na minha lista de obras primas do blog.
Tudo bem que ele fez o entediante Kill Bill vol.2, mas não posso censurá-lo. O projeto inicial era de um filme só com 180 minutos. Mas a máquina de fazer dinheiro, Harvey Weinstein, convenceu o diretor a fazer o filme em duas partes. Por isso que tudo de bom está no vol.1 e toda a encheção de linguiça está no vol.2 (já tive até vontade de editar as duas partes e aí sim transformar Kill Bill em obra prima). Tudo bem também que ele fez o chatérrimo Death Proof, mas isso era um projeto juntamente com o Robert Rodriguez de emular os filmes trash da década de 70. Era só experimentalismo. Um experimentalismo corajoso (e deve ter feito essa experiência fumando crack para conseguir fazer um autêntico filme ruim e trash). "Pobre Quentin. Como te injusticei" - pensei.
Ao comprar o ingresso para o Inglourious Basterds, tive a certeza que assistiria ao melhor filme de Quentin Tarantino.
*****

Quando vi Os Doze Condenados, fiquei extasiado. O Lee Marvin botando para quebrar. O roteiro macho e eficaz. E nunca tinha visto tantos bons atores em um mesmo filme: Ernest Borgnine, Donald Sutherland, Jim Brown, Robert Ryan, Telly "Kojak" Savalas, John Cassavetes e...
- Papai, como se chama aquele cara dos Doze Condenados? Aquele do Sete Homens e um Destino? Aquele do bigodinho.
Meu pai ria, já profetizando que eu ainda iria ver muita coisa do genial übermann CHARLES BRONSON.
Os Doze Condenados, Era uma vez no Oeste e Agonia e Glória são a base inspiradora para o novo filme de Tarantino (Quel Maledetto Treno Blindato de 1978, que em inglês se chamou Inglorious Bastards, nada mais é que um filme que Tarantino adorou e usurpou o título colocando uma grafia errada. A única semelhança é que ambos se passam na II Guerra Mundial). Como todos sabemos, Tarantino constrói todos os seus roteiros em homages dos filmes que gosta.
Sergio Leone e Sam Peckinpah são dois cineastas que o influenciaram enormemente. Leone copiou seu próprio estilo em Quando Explode a Vingança. Peckinpah copiou seu próprio estilo em Elite de Assassinos. Ambos tiveram resultados desastrosos.
Tarantino, o cara que faz o plágio se tornar original, plagiou da única pessoa que não poderia ter plagiado: ele mesmo.
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Inglourious Basterds é fraco. Poderia dar mil razões para escrachar, trucidar, arrebentar e violentar o filme, mas não o farei em respeito a quem ainda quer assisti-lo. Tento controlar a impetulante arrogância que volta a se apossar de mim.
Digo apenas que pesquisando para este post (já estou aqui há mais de 3 horas, o que prova o meu respeito por Tarantino apesar desse último fiasco), encontrei um vídeo em que ele enumera os seus 20 filmes favoritos nos últimos 17 anos (infelizmente está sem legenda) e tchan tchan tchan tchaaaaaaaaan...!!!::::: ELE INSERE DOGVILLE DO LARS VON TRIER ENTRE ESSES 20 FAVORITOS.
Portanto, só tenho uma coisa a dizer: Tarantino é o caralho, foda mesmo é o LaRs VON tRIEr.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Vim, Vi, Curti (Ou NãO)
Betamax - Watchmen, dir. Zack Snyder, USA, 2009.
Dos melhores filmes de super-heróis que já vi. Com um roteiro bom, a tecnologia atual permite que os quadrinhos sejam cada vez mais bem adaptados. Zack Snyder já tinha mandado bem em 300, que é um filme sem roteiro só de porradaria, e agora com um roteiro sólido, se esbalda. Este filme faz para as adaptações de quadrinhos, o que Moulin Rouge fez pelo musical. Ou seja, expõe a base do gênero retratado e destrincha, altera e parodia seus clichês sem deixar de ser fiel às origens.
sábado, 3 de outubro de 2009
Comentário Lampejante
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Locações in Loco
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Calvário Feroz: Entre os gols da Seleção e o Tango, a Vida Imita a Arte. Parte VI.
Tudo pronto. Luzes: não são necessárias porque o filme é ao ar livre. Câmera: alugada. Ação: impossível. O diretor está imóvel.Com exceção do figurino, que ainda precisava de algumas peças, tudo estava praticamente pronto. Faltava apresentar a locação para os atores se ambientarem e esperar o fim-de-semana passar para começarmos a gravar (a ação se passa no Parque da Floresta da Tijuca e durante o fim de semana o fluxo de turistas é muito grande).
No início da semana, eis que a gloriosa Rede Globo decide expandir a novela Caminho das Índias por mais duas semanas. O protagonista do meu curta está na novela, inviabilizando a nossa filmagem nos dias 31 de Agosto, 1 e 2 de Setembro. Só poderíamos rodar no meio de Setembro. Obviamente, isso não era culpa do protagonista que apenas cumpria seu contrato com a Globo, mas a necessidade de remarcar o filme deu uma quebra na produção.
Todos no filme estão trabalhando “por amor” (termo atenuante que significa trabalhar de graça) e ao remarcar a data de filmagem, o ritmo de trabalho de todos parou por completo. A culpa disso é única e exclusivamente minha.
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Justamente no dia em que escrevi pela última vez neste blog, fui para a minha famigerada pelada. Eu sou um convicto perna de pau, mas mesmo assim, insistem em me escalar como centro avante. Isso se deve ao fato de um inspirado e milagroso dia em que permaneci na banheira e marquei quatro improváveis gols. Eis que ao disputar uma bola bruscamente, como se estivesse num campeonato profissional, piso errado e deposito o peso do meu corpo em cima do pé esquerdo. Fratura!!! Para aqueles que não me conhecem, sim, sou eu na foto que ilustra esta postagem. A vida imita a arte visto que o personagem do filme está com a perna quebrada e anda de muletas durante todo o filme. Pelo menos agora consegui a muleta que precisava para o filme…
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Meu pai tinha marcado uma viagem para que nós fossemos à Argentina ver o jogo do Brasil. Coincidentemente estava marcada para o dia 3 de Setembro, um dia depois do que seria a filmagem. O filme estava cancelado momentaneamente e não deixaria que um pé quebrado me impedisse de viajar.
Fui, subi o estádio de muletas, gritei, pulei igual Saci com os gols históricos da seleção e só não dancei tango porque aí já seria demais. Voltei com as mãos quase em carne viva por causa das muletas e hiper-cansado. Meu pé latejou por uma semana que fiquei na cama sem vontade sequer de ir ao banheiro. O curta que tentava rodar desde o começo do ano estava adiado novamente. A imobilidade me trouxe a um estado de semi-depressão. Me lembrei muito de 8½, filme de Federico Fellini em que um diretor de cinema em crise da meia-idade não consegue rodar um filme. Ele enrola o produtor e os atores e o filme nunca acontece.
Hoje me lembrei também de um filme pouco visto chamado Coração de Caçador (White Hunter, Black Heart), o primeiro filme que vi com Clint Eastwood. Vagamente inspirado na filmagem de Uma Aventura na África (African Queen) dirigido por John Huston, Eastwood interpreta o diretor que abandona as filmagens constantemente para caçar elefantes na África. O rosto de Clint na última cena do filme (talvez sua melhor interpretação facial de todos os tempos) passa toda a sua decepção com o mundo cinematográfico e com sua pouca vontade de estar ali dirigindo aquele filme.
Numa escala infinitamente menor, sinto-me várias vezes “deprimido” com meus projetos. As dificuldades e obstáculos que consistem rodar um filme me colocam à prova o tempo todo. “Caramba, já tenho 30 anos”, repito em minha mente. Acho que isso se deve ao fato de nunca ter realmente experimentado o gosto do sucesso. Não o da fama, mas o sucesso comigo mesmo, de me sentir querido como artista. Já participei de festivais e meus filmes sempre foram bem recebidos pelo público, mas falta algo…
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Minha barba é rala e cheia de falhas. Quando fico com preguiça e não a faço, é uma visão ridícula. É como aquele bigodinho ralo de mexicano que os adolescentes adoram exibir. Decidi não fazer a barba até que consiga rodar o filme. Ontem, a mulher do protagonista me perguntou se era promessa. Não, é castigo mesmo.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Calvário Feroz: rough cut do corte bruto sem TubarÕeS. Parte V

George Lucas mostrou um rough cut de Star Wars a um grupo de cineastas. O corte bruto significava que o filme estava montado numa sequência lógica mas sem preocupações com transições suaves ou cenas demasiado longas. Nesse corte também não estavam incluídos nenhum dos efeitos especiais, que foram substituídos por cartelas com fotos ilustrativas. Foi a galhofa. Os cineastas acharam ridículo. Sem ver os efeitos especiais, Steven Spielberg, foi o único na platéia, que achou que o filme seria um sucesso.
assistente nos três primeiros planos e depois meu produtor, o diretor de arte e sua assistente. A patota toda que me atura. Todo mundo fala ao mesmo tempo, executam interpretações questionáveis, brincam. Tudo está valendo porque o que importa é a cronometragem e a movimentação de câmera. Desde que façam a ação, tá tudo certo. Quando vejo os ensaios em casa, rio de algumas partes. Acho que quando o filme estiver na lata, vou me rir muito mais. Creio que um leigo que visse tal encenação, nunca acharia que um filme poderia sair dali. Não o censuraria.
er e seu carrasco no filme. Eles estão bem longe da câmera e ela leva um tapa e é arrastada para dentro da mata. O fato dos dois não serem atores e ficarem completamente estáticos, não ajudou. Preciso dos atores. Só que o ator principal está gravando o final de uma novela e o outro ator está em São Paulo. Sinto numa escala microscópica o que os estúdios de Hollywood passam quando têm que adiar seus filmes porque os protagonistas ainda estão em outros projetos. Mas não posso reclamar, visto que todos estão fazendo o filme por amor e confiança. Mas, mesmo assim, me sinto como o Spielberg rodando Tubarão sem o tubarão. O tubarão vivia dando problemas, por isso Spielberg apelou para sua criatividade e fez um filme onde o tubarão quase não aparece. Ensaiemos sem os tubarões, então.quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Comentário Lampejante
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Vim, Vi, Curti (ou NãO)

KINO- Se, Jie/Lust, Caution/Desejo e Perigo, dir. Ang Lee, USA/China/Hong Kong/Taiwan, 2007.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Prozac da Semana
Trabalhei durante algum tempo da minha vida vendendo quadros. Serigrafias, Óleos, Posters, Aquarelas. Já vi muita coisa. De Vermeer a Kandinsky. Há muito tempo não via um trabalho tão interessante e inspirador (aberrante também) como o de Ray Caesar. Um amigo viu num blog, eu vi no blog dele e apresento agora no meu blog. Numa semana atarefada, o trabalho desse artista foi o Prozac que eu precisava. Ray Caesar é puro cinema.terça-feira, 11 de agosto de 2009
Calvário Feroz: Enquanto a grama cresce, o cavalo passa fome. Parte IV
Vendo que os atores do filme não teriam tempo de ensaiar durante a semana passada e, na ausência de minha patroa, decidi ir a BH visitar minhas avós e um amigo.quarta-feira, 22 de julho de 2009
Calvário Feroz: na TV domiciliar sou pupilo dos mestres. Parte III
Dizem que Wes Anderson, no meio das filmagens de Royal Tenenbaums, decidiu assistir a um filme de Buñuel para se inspirar. Impossível dizer que foi por falta de organização ou não saber o que filmar. Esse caboclo planeja os planos meticulosamente. De Bottle Rocket à Darjeeling Limited a direção de arte é exemplar, os móveis posicionados simetricamente, a roupa dos atores condiz com sentimentos ou com a cor do espaço (olha a foto acima). O cara é geek, porra. Já viu CDF desorganizado? Ele realmente foi assistir ao filme de Buñuel para se inspirar em algo que faria similarmente ao mestre.segunda-feira, 20 de julho de 2009
Vim, Vi, Curti (ou NãO)


Os planos sequência nem sempre fazem sentido no filme. Às vezes o diretor parece bem seguro e o filme desenrola bem, mas quando cisma de copiar o estilo de Cláudio Assis, ele se perde.

sábado, 18 de julho de 2009
Calvário Feroz: Plano sequência no meio do mato - uma loucura programada. Parte II
Um plano sequência nada mais é do que uma cena filmada sem interrupções/cortes. Vídeos caseiros são repletos de planos sequências visto que aquela tia velha pega a câmera e roda sem cortar por uns 30 minutos. A alma do cinema sempre foi a montagem, a edição. quarta-feira, 15 de julho de 2009
Prozac da Semana




