segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Uma viagem alfacinha dum Carioca em Minas de Nova York



Li/Ouvi em algum lugar que para ter uma identidade nacional ou mesmo global, o indivíduo precisa ter uma identidade regional. Ou seja, só respeitando e gostando de suas raízes natais, ele poderia apreciar e defender o resto. Sempre me considerei um apátrida. Regionalismo então, que babaquice. No entanto, é difícil não defender Minas Gerais em detrimento do resto. Ou não defender o Brasil duma afirmação idiota feita por um gringo. Ou não proteger o nosso planeta dum bando de otários que podem nos conquistar porque têm mais dinheiro.
O clipe acima representa a nova New York, New York imortalizada por Frank Sinatra. Jay-Z e Alicia Keys deram um retoque moderno na inaltação da cidade que nunca dorme. É comercial? É pop? É metido a besta? É cafona? É. Mas, é bom. "The lights will inspire you", as luzes vão te inspirar. Devo dizer que é verdade. Nunca me deparei com tamanha manifestação de informação, de cultura, de loucurrra e caretice. Ideias pipocavam na minha cabeça a todo instante. A praia carioca me prostrou.
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Jon Voight coloca seu chapéu caipira interpretando o protagonista de Midnight Cowboy. Ele ouviu dizer que em Nova York só tem viados e que teria um futuro como gigolo na cidade que nunca dorme. Com poucos dólares no bolso, ele chega na rodoviária e descobre rapidamente que seu sonho era tão consistente quanto a fumaça de seus cigarros.
Midnight Cowboy é uma das maiores obras primas da sétima arte. A frustração dum sonho ingênuo. É também a melhor interpretação de Dustin Hoffman de todos os tempos. Contrariando o Method do Actor's Studio, ele não quis saber de interiorizar a dor para o mancar de seu personagem. Colocou pedrinhas dentro do sapato e a dor incomadava-o a ponto de mancar.
Cheguei em NY sem intenções de me tornar um michê, mas meu objetivo era similar ao do personagem de Jon Voight: conquistar Nova York. "If you can make it there/you can make it/anywhere" (Se você conseguir lá/você consegue/em qualquer lugar).
Não foi bem assim. Analisei através de comentários e experiências que todos os grandes diretores de fora dos EUA, foram reconhecidos primeiramente por filmes em seus países natais. Daí, vieram convites para ir a Roma. Nova York é a Roma do milênio. Se gostarem lá, gostarão em qualquer lugar. Não por causa dos americanos (que são cada vez mais minoria na cidade), mas por causa de seus óculos globais. Todos estão representados ali.
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Reclamo para cacete do Rio de Janeiro. Me criticam por isso. Como se o fato de ser um forasteiro não me permitisse detonar e implodir minha opinião. Normal. Sempre fui "estranja".
Sempre existe e existirá uma sacaneada e xenofobismo direcionado aos outsiders. Tô acostumado. No Brasil era português e em Portugal era brasileiro (como meu amigo Roberto Leal). Em New York era um latin american. E no Rio, sou mineiro. O rótulo está sempre presente quando somos de fora ou somos diferentes.
Se esquecem que voto e pago impostos aqui. Que escolhi essa cidade para viver.
Emeric Pressburger nasceu no império Austro-Húngaro e tornou-se famoso por co-dirigir filmes de enorme sucesso com Michael Powell na década de 40. The Life and Death of Colonel Blimp e Black Narcissus estão sempre nas listas de melhores filmes de todos os tempos entre críticos americanos. Uma vez, ele disse que se sentia mais britânico que os próprios britânicos. Afinal, ele não era obrigado a ser britânico por nascimento, ele o fez por escolha.
Sou viçosense, mineiro, alfacinha, new yorker e carioca da gema. Me deixem ser o que eu quiser, independentemente do Galo cair para a segunda divisão ou não.

sábado, 2 de outubro de 2010

Design Feroz

Cartaz temporário para o festival de cinema de Oaxaca, México. Juliana, que trabalha na Faro Filmes, pintou meu conceito pela mágica do Photoshop. Good job!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sequencial plano de aniversário!!!

Um blog que cada vez mais se especializa na grande paixão: o plano sequência.

Mais um clipe dos OK Go - White Knuckles

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Calvário Feroz: O insustentÁVEL PeSO da RejeiçÂO. Parte XI

O que faz um diretor como o Kenneth Branagh dirigir o novo filme do super-herói Thor? O que faz Woody Allen sair de Manhattan? Grana, mas não só.
Branagh dirigiu Hamlet (1996), colocando na tela o texto integral da peça num filme de 4 horas. Elogiadíssimo. No entanto, o filme custou 18 milhões de doletas e arrecadou 4.

Woody Allen tem um público fiel, mas escasso. Seus filmes sempre fizeram sucesso nas grandes metrópoles, mas ficaram desconhecidos para o resto do mundo. Ah, mas e Annie Hall (o título no Brasil, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, é um pouco indigesto), o maior sucesso de Allen que ganhou até o Oscar? Custou 4 e arrecadou 38 milhões. Um lucro considerável, mas uma arrecadação pífia se comparado a verdadeiros blockbusters. No mesmo ano, foi lançado Star Wars que arrecadou 35 milhões só no fim de semana de estréia (acumulando uma bilheteria final de 460 milhões só nos EUA). Sacanagem comparar Star Wars com Annie Hall? Outros filmes de 1977 que arrecadaram mais de 100 milhões: Os Embalos de Sábado à Noite, Encontros Imediatos de 3º Grau e Agarre-me se puderes (Smokey and the Bandit com o Burt Reynolds).

Creio que em algum momento, por mais que a crítica elogie, o cineasta sente necessidade de agradar ao grande público. Afinal, os filmes são feitos para serem vistos. Se Rodin tivesse esculpido todas as suas estátuas e as tivesse deixado em um galpão, escondidas dos olhos do público, seriam essas obras consideradas arte? Sempre questionei se pode se chamar de arte, uma obra que é apenas admirada por seu autor... Pode a arte existir sem público?

Muitos cineastas independentes não têm o menor problema (muito pelo contrário) em fazer filmes para nichos, para públicos específicos. Outros, não.

Um exemplo recorrente no Brasil são alguns atores de teatro denso que vão fazer novela. Claro que tem a ver com dinheiro, mas também tem muito a ver com reconhecimento. Em algumas festas ambientadas nas madrugadas surradas do Rio, convivo com alguns deles, que hoje são galãs de novela das oito. Por mais que eles comentem seu desprezo pelas narrativas protagonizadas na Globo, observo que sentem um intenso prazer ao serem reconhecidos, elogiados, assinando autógrafos. Artista gosta de aparecer. Ponto final.
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Enfrentando as brumas burocráticas dos festivais de cinema, já enviei o meu último curta, Ferocidade entre a Urbe e a Flora, para 35. Rejection Rejeição Denied Negado Verboten. Ver listas e listas de selecionados serem divulgadas e não ver o seu nome, é frustrante. É não atrás de não! Dizem que no início de carreira, quando Picasso não conseguia vender um quadro a um marchand, ele jogava-o no lixo assim que saía do atelier.
Nunca arremessei um Dvd pela janela ou quebrei o HD do meu computador após a rejeição de um festival. No entanto, já me comportei de forma reclusa e preguiçosa ao mandar os meus dois curtas anteriores para pouquíssimos festivais. Era como se cada rejeição significasse que ir ao correio enviar mais um filme fosse uma perda de tempo. Sola de sapato gasta à toa.
O anterior, Zero Hora, foi selecionado pelo festival de Brasília. Fiquei orgulhoso e não mandei o filme para mais nenhum festival. Tava cansado de ouvir NãO.
Ferocidade estava empacado. O filme foi exibido na MOSCA (Mostra audiovisual de Cambuquira), mas sem demérito à mostra, antes pelo contrário, não é um festival competitivo.
De oito festivais que deram resposta de seus selecionados, todos tinham subjetivamente barrado o filme. Os olhos brilham e a energia irradia ao ouvir boas novas. Ferocidade entre a urbe e a Flora foi selecionado para o Festival internacional de Oaxaca, no México. Um festival com prêmio alto e que reunirá uma interessante comunidade cinematográfica.
A felicidade bateu à nossa porta. Agora, podem falar não à vontade.

Festival de Oaxaca: www.oaxacafilmfest.com/

sábado, 11 de setembro de 2010

Vivendo o filme CaTástroFE


Sobressalto. Atrasado. Copo de cálcio. Porta fora e metrô.
Entro pela sala de aula. Cadê o professor?
Um avião colidiu com o World Trade Center, disse o colega.
Tinha passado em Tribeca há pouco, quando ainda no trem.
Outro aspirante a cineasta abre a porta da sala. Um segundo avião acaba de colidir, diz ele.
Todos se dirigem para uma das salas de projeção. Telão grande, capacidade para 200 pessoas assistirem os replays da CNN. O avião bate. De outro ângulo. Contra plongé. O outro avião se espatifa. Fumaça. Gritaria.
Viro para um japonês da minha turma. Eu tinha ajudado a colocar o curta super 8 dele nas projeções de final de ano. Ele, grato, me ofereceu uma carona que recusei para não dar trabalho. Dessa vez era diferente. Cobrei a carona daquela noite e ele fez questão de me levar. A fumaça de Manhattan era vista de qualquer ponto do Brooklyn.
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Quando morar em Nova York era apenas um sonho e eu ainda era um turista, passei pelo túnel que liga a New Jersey. Meu pai divagou numa ideia para um filme: e se o túnel explodisse e as pessoas ficassem presas circundadas por água (o túnel atravessa por baixo d'água). Uns anos depois essa mesma ideia foi usada em Daylight com o Stallone. Eles basearam muitas das sequências de ação num filme chamado O Destino do Poseidon com o Gene Hackman (que por sua vez teve um remake em 2006 chamado de Poseidon).
Os filmes catástrofe tiveram o seu auge na década de 70 que contou com os sucessos Inferno na Torre, Terremoto, Aeroporto 74 e o próprio Poseidon Adventure. Os títulos explicitavam onde ocorreriam a mais nova catástrofe repleta de efeitos especiais.
Não foram estas as imagens que se passaram por minha cabeça, no entanto.
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Pensa-se no que está acontecendo. Não foi preciso ser um gênio para deduzir que a probabilidade de dois aviões baterem por acidente nas torres gêmeas era reduzida.
Tão atacando essa porra! Tô no Brooklyn College, subúrbio, sem monumentos de grande importância à minha volta. Rota até a minha casa em Queens, subúrbio. Se eu morasse na Times Square ou perto do Empire State Building, só apareceria por lá no dia seguinte. Nunca foi tão seguro morar no subúrbio.
O Japa acelerou para cruzar Brooklyn/Queens. Dois colegas vinham comigo no banco de trás e outro ia no passageiro. Um cara filmava as torres queimando com uma Sony VX2000 enquanto todo mundo falava ao mesmo tempo em japonês. Eu ficava quieto, olhando aqueles dois charutos de concreto.
Uma torre desmoronou. A câmera filmando. Takahiro, o motorista, diminuiu a velocidade para poder olhar. Já não viu. Foi muito rápido.
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Confesso que fiquei excitado pelo enxaropado Titanic. Para mim tinha valido a pena esperar todo aquele romance de três horas só para ver o navio afundar. Os efeitos foram de grande realismo e me impressionaram. Eu devia ter uns 18 anos e ia constantemente a esses filmes para acompanhar a evolução tecnológica dos efeitos. Armageddon, Twister, Inferno de Dante. Acompanhava tudo isso. Sempre na telona, claro.
No entanto veio uma regressão e os efeitos viraram defeitos especiais. O uso da máquina operante computadorizada ajudou a cortar custos ao explodir virtualmente um caminhão que antes era explodido na real. Quando se misturou a filmagem real com o virtual no fim da década de 80, obteve-se resultados extraordinários. Mas, hoje, os grandes estúdios americanos querem fazer tudo no computador e tornam a diagese pouco convincente. Diagese significa a realidade da narrativa compreendida de forma externa (essa veio da época das minhas aulas de Film Theory).
Os efeitos de hoje em dia não convencem e filmes catástrofe como 2012, se tornam entediantes (bem fraquinha aquela cena do Cristo desmoronando).
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O carro atravessava a highway e com muita sorte passávamos no momento exato que a polícia fechava os acessos. Passamos uns cinco até que não teve mais jeito e tivemos que dar uma baita volta pelo norte de Queens.
Cheguei em casa. A Dora, que dividia o apartamento comigo, estava vidrada na televisão. Sentei ao lado dela. Ficamos um tempo em silêncio até ela dizer - Vim a pé para casa. Andei pra cacete. Eles fecharam o metrô e as pontes. Voltei a fumar de tão nervosa.
Voltamos ao silêncio. Eu acendi um cigarro. O cheiro da fumaça do tabaco era fraca em comparação ao cheiro indescritível que vinha do World Trade Center, que estava do outro lado do rio. Aquele cheiro permaneceu em todos os cantos da cidade por uma semana. O olfato fazia com que todos fizessem parte da tragédia.

Astoria, Queens, 11 de Setembro de 2001

Quadro abstrato do Poseidon: http://www.cinemademerde.com/Beyond_Poseidon_Adventure-abstract.gif

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Calvário Feroz: O SilêNCIO. Parte X

O siLêNcIo do estúdio cessou quando a gaita emitiu seu rugido. Começava a gravação derradeira da trilha sonora do meu último curta Ferocidade entre a Urbe e a Flora.
Meus dois curtas anteriores tinham trilha sonora alta, recheados de efeitos sonoros abrangentes. Quando os rodei, eu frequentava alguns bares do circuito underground de rock'n'roll de Nova York. A maioria desses shows era no Brooklyn. Eu acompanhava constantemente duas bandas: The Nervous Cabaret e Black Cat Revolver. Tocavam em bares em porões, em casas improvisadas (Asterisk) e nos clubs do Lower East Side (Arlene Grocery ou Bowery Ballroom). Desses mesmos bares surgiram bandas como The Strokes. Estava sempre envolvido por rock'n'roll de extrema qualidade. E nesse meio, consegui a música do Nervous Cabaret para o meu curta Out of the Prohibition Era e do Giraffes para o curta seguinte, Zero Hour.
Neste, Ferocidade entre a Urbe e a Flora, optei por uma tropa de cigarras e uma gaita esvoaçante e repetitiva. Repetitiva como o tema de Tubarão/Jaws e chatinha como a nota do insistente piano De Olhos bem Fechados/Eyes Wide Shut. Mas a referência mesmo, como não poderia deixar de ser, foi Era uma vez no Oeste/Once Upon a Time in the West e Três Homens em Conflito/The Good, The Bad and the Ugly de Sergio LeOne. Charles Bronson tocava a gaita em Era uma Vez... e Pedro Fasanello tocou para o Ferocidade. Trilha de ótima qualidade do Sr. Fasanello.
No filme, o som das cigarras gira 360º à volta do protagonista e a gaita estraçalha a vegetação da floresta da Tijuca, onde o filme foi rodado. Entre o canto da cigarra e as notas da gaita... existe silêncio.
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O curta teve seu áudio finalizado na Casa de Som - que apoiou o filme - e suas imagens concluídas e computadorizadas e dvdzadas na Faro Filmes - que produziu el filme.
Dedos martelando o mouse através de ilimitada pesquisa na internet de festivais para inscrever o benedito filho curta-metragem. Lista de Gramado a Seul, de Paulínia a Sofia. Cannes já fui recusado, muito obrigado. Gramado? Passar bem. Mas a esperança é a primeira que morre ao contrário.
Meu professor dizia na faculdade que ao inscrever um curta em dez festivais e ser aceito em um deles, já era uma ótima média. Tendo já inscrito anteriormente dois curtas em alguns festivais, e sentido muita rejeição, ganhei alguma experiência em o que não fazer - tanto psicológica como fisicamente. No entanto, o que importa é que continuo mandando o filme pelo mundo afora e esperando para ver se minha média está boa. Fly DVDs! And bring me good news!
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O silêncio entre gaita e cigarra é preenchido pelo murmúrio, pelo som da surpresa, pelos risos de nervosismo, pelo olhar da população. Um público que não tem cinema em sua cidade, mas que uma vez por ano, conta com a Mostra Audiovisual de Cambuquira, vulgo, Mosca. Um povo que não está acostumado a assistir um filme na companhia de tantas pessoas. Ingenuamente, expressam com muita emoção, os sentimentos que nutrem ao assistir as imagens da tela prateada. Claro que tem vários adolescentes engraçadinhos que fazem um barulho dos capetas tentando que seus colegas riam da palhaçada. Mas é legal lembrar de como o público de Cambuquira, interior de Minas, se comportava quando a mostra começou há 6 anos atrás. Era bem mais falante. O público Cambuquirense, hoje em dia, pede silêncio e se concentra mais nas histórias. A verdade é que eles entram na história.
Ferocidade entre a Urbe e a Flora tem três momentos chaves nos seus curtos 13 minutos. No primeiro, a audiência fez o "oooooooh" da surpresa. No segundo, o público mesclou risos sacanas com o "aaaaaah" do choque. No terceiro, algumas risadas foram abafadas... pelo silêncio.
Mais um curta-metragem pronto e sendo exibido. O ardor nas têmporas, o músculo contraído, a artéria nervosa e pulsante. Estou entre uivos da gaita e urros de cigarras. Ao silÊncio me recolho...
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Essa mostra, MOSCA, é organizada pela Ananda Guimarães e outras grandes amigas, que com muito suor levam cultura para essa cidade encantadora que se chama Cambuquira. Foi com muita honra que participei da MOSCA com o Ferocidade. Honra e pressa devido ao compromisso inadiável do Sr. Pedro Fasanello - trilheiro e diretor de arte do nosso curta - que acompanhou a mim e minha esposa, Laura, até o sul de Minas.
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Extra, extra, extra. Lembrando que a água mineral das fontes naturais de Cambuca é a melhor que já bebi (tem gás natural) e o pôr do sol vendo o voo livre dos paragliders é espetacular.
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Parabéns a Márcio Vito, o protagonista do nosso Ferocidade, que ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante no festival de Paulínia pelo filme 5 x Favela- Agora por nós Mesmos.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Blu: um convite à euforia pela ArTe

Depois de algum trabalho, uma viagem NY/Europa, um certo desânimo, uma mostra de cinema e muito tempo jogado fora, eu volto a povoar este blog. Perdão pela ausência.

Um rio de criatividade passou pela minha vida e varreu essas imagens duma postagem facebookiana do eterno contribuinte Marcello Lima para as páginas replicantes deste blog que vos escreve.

Com vocês, Blu!!!

Se tiver uma conexão razoável, aconselho que assista em fullscreen.

Site do artista: BLUBLU.ORG

quarta-feira, 31 de março de 2010

Mais um plano sequência para a CoLeÇÃo

Todos os cineatas, cinéfilos e entusiastas comentam o plano sequência de abertura de El Secreto de sus Ojos, do argentino Juan José Campanella. Eu acabei de rodar o curta Ferocidade -entre a Urbe e a Flora, um plano sequência. Como tal, apresento um clipe em plano sequência com grande teor de dificuldade para que se divirtam sem cortes.



sábado, 27 de março de 2010

Fragmentos de um roteiro cinematográfico SOBRE os Nardoni



FADE IN.

EXT. FÓRUM - DIA

ROBERTO PODVAL, 50, ligeiramente acima do peso, vestindo terno impecável, anda em direção à entrada do fórum.

Uma multidão cerca Roberto, dificultando sua entrada no fórum.

Os jornalistas se aglomeram em volta de Roberto buscando a melhor imagem.

REPÓRTER GLOBAL
- Roberto Podval, advogado de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acaba de chegar ao fórum onde acontece o julgamento. É grande o número de cidadãos e jornalistas em volta do advogado que tem dificuldade de chegar à entrada do fórum. Vamos tentar -

Um HOMEM, 38, porte físico avantajado, esbarra violentamente no REPÓRTER GLOBAL, 28. O homem fura a barreira de pessoas e aproxima-se rapidamente de Roberto.

Roberto arregala os olhos ao ver o homem se aproximando. Este, desfere um soco no estomâgo do advogado.

Assustadas, as pessoas se afastam dos dois. Os flashes disparam.

DOIS POLICIAIS se aproximam da confusão. O agressor se esgueira e desaparece na multidão.

Os policiais escoltam o advogado, empurrando as pessoas que atravessam seu caminho.

A testa de Roberto está encharcada de suor. Ele é quase uma marionete nas mãos dos policiais, que praticamente o carregam.

Desnorteado, Roberto consegue finalmente adentrar o fórum.

REPÓRTER GLOBAL
(olhando para a câmera)
- Como vocês puderam observar, o advogado de defesa do casal Nardoni foi agredido e teve grande dificuldade para entrar no fórum. As pessoas que se aglomeram na frente do recinto começam agora a entoar cânticos pedindo justiça. De volta ao estúdio. Sandra.

MULTIDÃO
- Justiça! Justiça! Justiça!

FADE OUT.

JUIZ MAURÍCIO FOSSEN (NARRAÇÃO EM OFF)
- Em razão dessa decisão passo a decidir que a pena seja imposta a cada um dos acusados em relação a este crime de homicídio pelo qual foram considerados culpados pelo conselho de sentença.

FADE IN.

EXT. FÓRUM - NOITE

REPÓRTER GLOBAL
- Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são considerados culpados pelo homicídio da filha e enteada Isabella Oliveira Nardoni. O juiz Maurício Fossen continua a leitura da sentença e relata agora a pena do casal. O curioso é que a população que permaneceu na entrada do fórum durante todo o dia, ainda não se manifestou. Talvez devido ao jargão jurídico, a população parece ainda não ter entendido que o casal foi considerado culpado.


Um CIDADÃO, 60, ouve o que o repórter disse e reage.


CIDADÃO
(histérico)
- Eles foram condenados? Eles foram condenados! Eles foram condenados!


A multidão grita em uníssono. As pessoas levantam cartazes que clamavam por justiça. Idosas se abraçam. Adolescentes riem.


Fogos de artifício rompem os céus. A população comemora com alegria.


INT. CARRO DA POLÍCIA - NOITE


ALEXANDRE NARDONI, 45, abatido, algemado, observa os fogos pela janela do carro. Um POLICIAL, 35, está encostado ao carro. Ele observa ANNA JATOBÁ, 26, magra, algemada, entrando em outro carro da polícia.


Ela olha para Alexandre. Então, abaixa a cabeça e desaparece por trás do insulfilm da porta do carro que se fecha.


O policial volta sua atenção para Alexandre. O prisioneiro mantém o olhar fixo no carro onde está Anna Carolina.


POLICIAL
- Se isso aqui fosse um filme de Hollywood, essa ia ser a parte que íamos ver um flashback onde a gente ia descobrir se vocês eram culpados ou inocentes.


Alexandre olha para os fogos de artifício que estouram no céu.


ALEXANDRE
- Só que isso aqui não é filme. Não é Big Brother.
(olhando nos olhos do policial)
Isso aqui é a vida real.


FADE OUT.


O som dos fogos de artifício torna-se ensurdecedor.


FIM.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vim, Vi, Curti (Ou NãO)

THÉATRON: Dois perdidos numa Noite Suja, dir. Sílvio Guindane, Teatro Vanucci.

Produção de Fernando Dolabella traz o texto de Plínio Marcos para o shopping da Gávea. Aula de interpretação e incorporação de um personagem: André Gonçalves. Arrebenta.






BETAMAX: Guerra ao Terror/The Hurt Locker, dir. Kathryn Bigelow, USA, 2009.

Tenso. Sutil em sentimentos. A transição final é maneira. Bom filme, apesar de ter ganho o Oscar...

Plastic City - Cidade de Plástico/Dangkou, dir. Nelson Yu Lik-wai, Brasil-China-Hong Kong-Nippon, 2008.

A ideia é em cima de um contrabandista japonês no centro de São Paulo (claramente baseado no chinês Law Kim Chong) e seu filho adotivo. Nelson Yu Lik-wai é melhor como fotógrafo do que como diretor. Visualmente cativa, mas a história é arrastada. A dublagem em português do filho adotivo incomoda.

KINO: Um Homem Sério/A Serious Man, dir. Coen Brothers, USA-UK-France, 2009.


Um colega de faculdade, que me introduziu aos filmes dos Coen Brothers, após ver O Brother Where Art Thou/E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (a tradução brasileira é ridícula visto que o título original é em inglês arcaico e a tradução usa gírias contemporâneas), disse: É um filme em que os Coen Brothers tentam ser os Coen Brothers.

Ao terminar de assistir Um Homem Sério, a frase desse colega veio imediatamente à minha cabeça. Ao invés de serem eles próprios, imitaram a si mesmos. Engraçadinho, mas longe do talento que lhes é inerente.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Locações in Loco - Desfile das Campeãs

1) Asas e pés brilham.
2) Verde e Rosa... e Amarelo
3) Salgueiro iluminado
4) Dilema inexistente do Policial: fotografo Vivi Araújo ou faço a segurança do Sambódromo?
5) O Fim do Carnaval

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Locações in Loco

1) WC THC
2) Girassol solitário

3) La Boca

4) A Rainha da Rocinha
5) Luzes da Sapucaí
6) A Distração gera o Bote

7) Contramão do Arcanjo


Photos by Venturi (13/02/2010 Desfile da Rocinha no Sambódromo pelo grupo de acesso. Meu 4º ano cobrindo o carnaval na avenida):

1) Banheiro químico na concentração da Av. Pres. Vargas.
2) Folião aguarda para colocar fantasia na concentração.
3) Fantasia colorida de um folião da Rocinha.
4) Eu, profissionalmente olhando para a câmera.
5) O esplendor do Sambódromo visto do camarote da Rio Samba Carnaval.
6) Cabe à interpretação de cada um.
7) Caminhando para casa (impossível pegar um taxi), passando pela R. Riachuelo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Comentário Lampejante

The Horror! The Horror! Fiquei paralisado ao ver a lista dos 10 livros mais vendidos no país. Tem alguma coisa errada num mundo literário em que um único autor consegue emplacar 5 de seus livros no top 10. J.R.R. Tolkien é o nome da criança e Senhor dos Anéis é o nome de sua praga, quer dizer, obra. Stephenie Meyer, autora dos eclipses lunares, tinha 3 livros na lista.
Estão todos lendo o mesmo? Não existem mais autores brasileiros?

Caaaaaaaaan't live... Na lista dos dez discos mais vendidos de 2009, o abençoado Padre Fábio de Melo tem 3 discos. Victor e Léo têm também 3 discos na lista.

Estão todos ouvindo o mesmo? Não existem mais bandas estrangeiras?

A qualidade dos bestsellers sempre foi duvidosa, mas pelo menos era mais variada...

Caricatura Lord of the Rings: http://www.courtjones.com/illustration.html

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Calvário Feroz: Aplauso ERETO para a PeÇa EscoceSA. Parte IX

Debatido e comentado exaustivamente em diversas postagens deste blog; todos sabem que o curta que rodei no ano passado foi um plano sequência. Mesmo assim continuo ouvindo a pergunta: Já editou? Parece uma pergunta sem lógica visto que não existem cortes a serem feitos, mas no fundo, tem razão de ser. Só que, a edição está no som.

Pela primeira vez trabalho com um técnico de som profissional e também estreio no desenvolvimento de uma trilha sonora original.

Nos meus filmes anteriores, eu mesmo fiz a mixagem (no primeiro não foi preciso porque era um curta em super-8, ou seja, mudo). No segundo (Out of the Prohibition Era) atingi um resultado satisfatório, mas no terceiro (Zero Hora), nem tanto. O Zero Hora foi selecionado para o festival de Brasília - uma honra- mas creio que não entrou em muitos outros festivais devido a problemas no áudio. O filme sempre foi elogiado quanto ao seu conteúdo e direção, mas sempre recebeu críticas quanto ao som. Fiquei muito revoltado ao assistir curtas pífios em festivais que recusaram o meu filme. A aceitação pelo júri/público e seus subsequentes aplausos são a razão de viver do cineasta.
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Fui assistir a um ensaio aberto de MacBeth dirigido por Aderbal Freire Filho e com Daniel Dantas como protagonista. Reza a lenda que MacBeth é uma peça amaldiçoada. Os supersticiosos teatrais se recusam a chamá-la pelo nome, referindo-se a ela apenas como a "Peça Escocesa". Minha cunhada, que é portuguesa, acompanhava-me.
Aparentemente, a maldição voltou a atacar. O ar condicionado quebrou, Daniel Dantas e companhia cuspiam o texto, impossibilitavam qualquer arco dramático e a ação movia a passo de caracol. Se eu estava suando, imagina os atores com figurino repleto de casacos pesados...

No final, o público aplaudiu de pé. Olhei para minha cunhada que não entendia nada. Curiosamente, não era pela lendária burrice atribuída aos Lusitanos. Era justamente o contrário. Portugal tem uma história teatral que iniciou-se no século XV com o dramaturgo Gil Vicente. O teatro brasileiro começou a aquecer em meados do século XX. São cinco séculos de diferença.
Nos teatros lisboetas é inconcebível que se aplauda uma peça que seja menos que estupenda. Aqui no Brasil qualquer - repito: qualquer- peça é aplaudida de pé. O nosso senso crítico para as artes está no chão. O termo "aplaudido de pé" já não tem qualquer valor.

Conheço vários atores que odeiam a crítica teatral Bárbara Heliodora. Eles dizem que ela é cruel e que destrói carreiras. Pois eu adoro a Bárbara Heliodora. É a única que tem coragem de dizer com classe mordaz que uma peça está uma merda. Se a Bárbara fosse crítica de televisão, a Rede Globo mandaria matá-la na primeira resenha sobre Malhação.

Minha cunhada continuou martelando sobre o ridículo aplauso ereto e não aguentando mais, eu disse: "Tá, mas os brasileiros são muito melhor atores que os portugueses". Enfim, o silêncio. Quem cala, consente.
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Cidadão Kane tem uma das mais famosas cenas de aplauso da história. O protagonista vivido por Orson Welles tenta emplacar sua amante como cantora de ópera. Ele que sempre conseguiu tudo devido ao seu imenso poder na mídia, não consegue que os críticos elogiem sua cônjuge (ela é ruim de dar dó). Chega ao fim mais uma de inúmeras apresentações fracassadas. O público sequer aplaude. Irritado, o magnata levanta-se e começa a aplaudir insanamente. Só se ouve sua ovação. Patético, impotente, ele para e senta-se.
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A trilha sonora do meu filme - Ferocidade: entre a Urbe e a Flora- tem evoluído entre gaitas e sons de cigarras. Espero concluir essa mixagem até o início do carnaval. Quero esse filme pronto logo. Quero que as pessoas assistam. E mais que tudo, QUERO que me aplaudam- sentados ou em pé.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O que aconteceria se VOCÊ não tiveSSe MeDo?

Li o título desta postagem num grafite na Tijuca. Voltava de carro com a minha mulher e a pichação estava num prédio, num 5º ou 6º andar. Será que o pichador teve medo de subir tão alto?
As palavras me afetaram porque estava pensando em algo parecido nos últimos meses (e escrito várias postagens sobre isso no blog): O que aconteceria se EU não tivesse medo de tentar?
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Sempre me considerei El Niño do talento. Uma força devastadora que atropela tudo com sua originalidade. As pessoas falam sobre a minha força de forma positiva. No entanto, o ciclone Márcio permanece estático no oceano da procrastinação, sem nunca dar as caras em terra para mostrar seu poder de "destruição". Preferi ser um tufão famoso nas águas do que encarar a possibilidade de perder minha potência e me tornar um redemoinho em terra firme.
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Em Gênio Indomável, o protagonista vivido por Matt Damon tem um QI mil vezes superior ao dos outros reles mortais. No entanto, o medo de ser tão diferente de seus amigos proletários de infância o impede de buscar qualquer objetivo na vida que não seja se meter em confusões e de pular de um emprego chinfrim para outro. Ele trata sua alta capacidade intelectual como uma maldição que o afasta da normalidade que ele supostamente almeja. A contradição surge quando ele não resiste a resolver equações matemáticas altamente complexas ou a demonstrar que conhece de cor livros de economia. Tais atitudes demonstram que ele gosta de possuir um conhecimento exacerbado, mas assim como um feiticeiro demasiadamente poderoso, teme seus próprios poderes. Good Will Hunting é daqueles filmes comerciais hollywoodianos que sempre me dão intenso prazer em assistir até o final, quando tudo acaba bem. Acho que sempre gostei do filme porque assim como o protagonista, sempre me achei um cara que mantém o seu talento recluso com temor da opinião alheia. Um artista vive para ter um público, mas esse público pode ser fã ou inimigo, e, todos temem seus inimigos.
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O medo serve como um alerta para situações que consideramos perigosas, sejam elas físicas ou psicológicas. O medo pode ser benéfico ou maléfico, dependendo de sua intensidade ou constância.

O que aconteceria se NINGUÉM tivesse medo? Veríamos o Baixinho da Kaiser enfrentando o Vitor Belfort. As velhinhas dirigiriam a 200 km/h. O mundo seria um caos.

Quando era adolescente, briguei com dois caras que me meteram o cacete. Só fiquei com a boca inchada porque o dono do bar interviu e isso me deu tempo de levantar e sair fora. Caso o dono da birosca não tivesse entrado no meio da confusão, não sei em que estado teria saído de lá. A briga só começou porque eu me senti na obrigação de machão de defender uma menina que eu mal conhecia. Fui petulante e inconsequente e me ferrei.

Foi quando ouvi pela primeira vez a frase: "É melhor ser um covarde medroso vivo, do que um herói corajoso morto." Já tinha ouvido - "Quem tem cú, tem medO" - mas por alguma razão não tinha achado muito filosófico. Hoje, acredito que não posso ser um covarde ou herói 100% do tempo, e sim, mesclar ambos nos devidos momentos. O herói que enfrenta porteiros de boate, briga com desconhecidos ou pula de paraquedas já existe há alguns anos. Esse herói só me deu problemas. Desejo que surja o herói que escreve sem parar, que desenvolve seus projetos e luta por seus sonhos e objetivos de vida.

Se o filme 2012 estiver certo e o mundo for mesmo acabar daqui há dois anos, tenho pouco tempo. O furacão precisa chegar logo em Vera Cruz.

Imagens: 1-foto título: http://s419.photobucket.com/albums/pp271/misstybooo/?action=view&current=Fear_by_seppe123.jpg&newest=1

2-O Grito de Edvard Munch.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Calvário Feroz: Olhar de Medusa. Parte VIII

Um plano sequência no parque da Tijuca em pleno feriado. Tudo preparado para o desastre. A câmera passa e a tendência dos transeuntes é olhar diretamente na lente. Quando continuam andando, a equipe está no lucro, porque a maioria empaca ao ver a câmera. É impressionante! Assistentes de produção pedem para as pessoas continuarem andando, mas elas não conseguem.O poder da câmera é intenso, hipnotizante. A câmera faz o papel da Medusa que transformava em pedra aqueles que ousavam olhar diretamente em seus olhos.
Um assistente de produção segurava o trânsito, outro controlava o estacionamento, outro impedia a passagem de pessoas por uma trilha e outro agarrava os que apareciam do nada. Obviamente não era o suficiente. Um take, que na hora quase me causou um infarto de ira, agora me faz rir: o protagonista caminha, demonstrando toda a sua preocupação, e, ao fundo vê-se uns 10 curiosos que observavam a filmagem. Todos com os olhos em Medusa.

O dia serviu de ensaio. Não consegui um único take na lata ou cartão HD. O som estava imprestável devido a um problema no equipamento (fato ocultado para não causar pânico entre todos os envolvidos no filme). Dormir, pensar, resolver.
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Presente: Aguardo as horas para dirigir-me à ilha de edição da Faro Multimídia onde o editor me aguarda. Em um dia mato os efeitos especiais e tons de cinza e cor. Não tenho que fazer cortes, como tal, o maior desafio será a trilha e efeitos sonoros. Esse trabalho auditivo será feito nos estúdios da Casa de Som da família Saldanha. Craques.
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Dia 2. Parque vazio. Equipe a postos. Manhã incandescente.
Um equipamento de som, munido de inúmeros microfones lapela e uma vara de boom wireless surgem no segundo dia. Mais assistentes de produção contribuindo com eficácia. Máquinas azeitadas. Quatro takes para poder escolher na sonífera ilha de edição.

Som ok? Câmera? Palmas. Lágrimas inundam meus olhos. Agarro o assistente de direção e não largo. Emoção transformada em abraço.

A desprodução inicia. Vou para o meio do mato. Sento-me à beira do rio que não se chamava Piedra, caro Paulo Coelho.

Nunca bebi água tão fresca.

(da esquerda para a direita. em pé: Pedro Fasanello, direção de arte; Mariana, maquiagem; Yan Saldanha, som; Adriano Guerra, assistente de direção e boom; Beto Thomé, steady cam; Fernando Dolabella, ator; José Amarílio Jr, direção de fotografia. sentados: Marina Rigueira, atriz; Pedro Piu, assistente de produção; Cláudio Barros, produtor; Eu; Laura Carvalho, claquete e assistente de produção; Márcio Vito, ator.)

sábado, 31 de outubro de 2009

Calvário Feroz: O mentor aconselha...Parte VII

"Garanto que estresse demais imobiliza a criatividade (...) quanto mais o artista sofre, menos criativo ele fica (...) A essa altura alguém pode mencionar Vincent Van Gogh, como exemplo de um pintor que fez coisas maravilhosas a despeito ou por conta do sofrimento. Acredito que Van Gogh teria feito coisas ainda mais maravilhosas se não fossem pelas restrições impostas pelo sofrimento."
Em águas profundas, David Lynch

Amanhã começamos o processo de filmagem do curta Ferocidade: entre a Urbe e a Flora. Nunca estive tão calmo. Ficava uma pilha de nervos antes, e, principalmente durante a filmagem.

Acho que filnalmente compreendi que não adianta estressar. Hoje, tenho a consciência de que mil imprevistos irão acontecer e que isso é normal. Não posso fazer mais nada para evitá-los. Eles acontecerão e eu e toda a equipe iremos contorná-los. É como estressar no dia anterior à uma prova. Não adianta nada. Se você estudou, não tem com quê se preocupar. Se não estudou, não adianta estressar porque nada vai mudar o fato de não ter estudado.

Acho que a experiência destes últimos anos também ajudou bastante para que essa "calmaria" tenha se apossado de mim.

Lynch tem razão. Como sempre.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tarantino é o caralho, foda mesmo é o LaRs VoN TrIEr

Para aqueles que estão acostumados com meus títulos intelecto-pseudo-prepotentes, mas que nunca tiveram termos chulos, peço desculpas. Os referidos palavrões nada mais são do que uma forma de chamar a atenção para o cúmulo da arrogância que se apossou de mim.
Confesso que ao sair do cinema após assistir Anticristo (Antichrist, dir. Lars Von Trier, Danmark-Deutschland-France-Svenska-Italia-Polska, 2009) fiquei extasiado e irritado. Extasiado por ter visto uma obra prima e irritado por todos só falarem dele: Quentin Tarantino e seus Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, dir. Quentin Tarantino, USA-Deutschland, 2009). Mesmo sem ter visto o filme de Quentin, gritei no meio da rua: Tarantino é o caralho, foda mesmo é o Lars Von Trier.
Como era possível que não tinha ouvido ninguém comentar sobre Antichrist???? Um filme primoroso, bem construído com apenas dois atores, com cenas super poderosas e chocantes e que me faz refletir até ao momento em que agora escrevo. A fotografia é revolucionária e Von Trier faz uso de um super-slow (obtido com uma câmera Phantom HD) que Tarkovsky não imaginaria ser possível (Von Trier dedicou o filme ao mestre russo, o que causou incômodo entre os críticos franceses no Festival de Cannes). Anticristo tem uma das melhores aberturas que já vi. No entanto, só me cuspiam no ouvido elogios à maestria de Tarantino e seu novo filme. Vi o trailer do filme em que Hitler grita: Nein! Nein! Nein! cortando para um Brad Pitt gritando: Yes! Yes! Yes!. Como seria possível que algo assim desse num bom filme?
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Ontem resolvi ir ver o filme bastardo. Numa caminhada que não durou nem 10 minutos, comecei a sentir como se já andasse há horas. Foi quando me apercebi que estava ansioso e excitado para ver o filme de Quentin. Lembrei de quanto fui injusto com ele ao dizer várias vezes que Pulp Fiction não era uma obra de arte. Logo eu que me impressionei profundamente ao ver esse filme em 94. Achei o filme tão revolucionário que influenciou várias coisas que escrevi depois. Cheguei a apostar com o meu pai que o filme ganharia todos os Oscars (naquela época ainda assistia aos Oscars, acreditava em Papai Noel e que o Brasil seria a potência do final do século XX).
Mas aí, fui para a faculdade de cinema. Assisti aos mestres russos, à nouvelle vague, aos clássicos americanos da década de 70... Revi Cães de Aluguel e tudo me parecia falado demais, longo demais, falso demais. O entretenimento puro me parecia menor se comparado à um Ran ou à um Taxi Driver. Hoje, consigo diferenciar um Duro de Matar dum Fellini 8 e meio e apreciar ambos pelos seus próprios méritos.
Quando estava quase chegando ao cinema, senti que tinha injustiçado Tarantino durante vários anos. Tanto que volto agora a colocar Pulp Fiction na minha lista de obras primas do blog.
Tudo bem que ele fez o entediante Kill Bill vol.2, mas não posso censurá-lo. O projeto inicial era de um filme só com 180 minutos. Mas a máquina de fazer dinheiro, Harvey Weinstein, convenceu o diretor a fazer o filme em duas partes. Por isso que tudo de bom está no vol.1 e toda a encheção de linguiça está no vol.2 (já tive até vontade de editar as duas partes e aí sim transformar Kill Bill em obra prima). Tudo bem também que ele fez o chatérrimo Death Proof, mas isso era um projeto juntamente com o Robert Rodriguez de emular os filmes trash da década de 70. Era só experimentalismo. Um experimentalismo corajoso (e deve ter feito essa experiência fumando crack para conseguir fazer um autêntico filme ruim e trash). "Pobre Quentin. Como te injusticei" - pensei.
Ao comprar o ingresso para o Inglourious Basterds, tive a certeza que assistiria ao melhor filme de Quentin Tarantino.
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Quando vi Os Doze Condenados, fiquei extasiado. O Lee Marvin botando para quebrar. O roteiro macho e eficaz. E nunca tinha visto tantos bons atores em um mesmo filme: Ernest Borgnine, Donald Sutherland, Jim Brown, Robert Ryan, Telly "Kojak" Savalas, John Cassavetes e...
- Papai, como se chama aquele cara dos Doze Condenados? Aquele do Sete Homens e um Destino? Aquele do bigodinho.
Meu pai ria, já profetizando que eu ainda iria ver muita coisa do genial übermann CHARLES BRONSON.
Os Doze Condenados, Era uma vez no Oeste e Agonia e Glória são a base inspiradora para o novo filme de Tarantino (Quel Maledetto Treno Blindato de 1978, que em inglês se chamou Inglorious Bastards, nada mais é que um filme que Tarantino adorou e usurpou o título colocando uma grafia errada. A única semelhança é que ambos se passam na II Guerra Mundial). Como todos sabemos, Tarantino constrói todos os seus roteiros em homages dos filmes que gosta.
Sergio Leone e Sam Peckinpah são dois cineastas que o influenciaram enormemente. Leone copiou seu próprio estilo em Quando Explode a Vingança. Peckinpah copiou seu próprio estilo em Elite de Assassinos. Ambos tiveram resultados desastrosos.
Tarantino, o cara que faz o plágio se tornar original, plagiou da única pessoa que não poderia ter plagiado: ele mesmo.
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Inglourious Basterds é fraco. Poderia dar mil razões para escrachar, trucidar, arrebentar e violentar o filme, mas não o farei em respeito a quem ainda quer assisti-lo. Tento controlar a impetulante arrogância que volta a se apossar de mim.
Digo apenas que pesquisando para este post (já estou aqui há mais de 3 horas, o que prova o meu respeito por Tarantino apesar desse último fiasco), encontrei um vídeo em que ele enumera os seus 20 filmes favoritos nos últimos 17 anos (infelizmente está sem legenda) e tchan tchan tchan tchaaaaaaaaan...!!!::::: ELE INSERE DOGVILLE DO LARS VON TRIER ENTRE ESSES 20 FAVORITOS.

Portanto, só tenho uma coisa a dizer: Tarantino é o caralho, foda mesmo é o LaRs VON tRIEr.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vim, Vi, Curti (Ou NãO)


Betamax - Watchmen, dir. Zack Snyder, USA, 2009.

Dos melhores filmes de super-heróis que já vi. Com um roteiro bom, a tecnologia atual permite que os quadrinhos sejam cada vez mais bem adaptados. Zack Snyder já tinha mandado bem em 300, que é um filme sem roteiro só de porradaria, e agora com um roteiro sólido, se esbalda. Este filme faz para as adaptações de quadrinhos, o que Moulin Rouge fez pelo musical. Ou seja, expõe a base do gênero retratado e destrincha, altera e parodia seus clichês sem deixar de ser fiel às origens.

sábado, 3 de outubro de 2009

Comentário Lampejante

Quando anunciaram que o Rio sediaria as Olimpíadas de 2016, o Lula e o Sérgio Cabral se abraçaram. No entanto, alguém reparou no salto de felicidade protagonizado pelo Eduardo Paes? O prefeito carioca pulou mais alto que a Yelena Isinbayeva. Muita grana vai rolar na prefeitura do Rio de Janeiro...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Locações in Loco





Voltando de Belo Horizonte pedi para minha mulher parar em Congonhas. Não conhecia as esculturas dos 12 Profetas de Aleijadinho. Uma visão deslumbrante. Cinema Puro!

fotos tiradas no meu celular de 1 mp.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Calvário Feroz: Entre os gols da Seleção e o Tango, a Vida Imita a Arte. Parte VI.

Tudo pronto. Luzes: não são necessárias porque o filme é ao ar livre. Câmera: alugada. Ação: impossível. O diretor está imóvel.
Com exceção do figurino, que ainda precisava de algumas peças, tudo estava praticamente pronto. Faltava apresentar a locação para os atores se ambientarem e esperar o fim-de-semana passar para começarmos a gravar (a ação se passa no Parque da Floresta da Tijuca e durante o fim de semana o fluxo de turistas é muito grande).
No início da semana, eis que a gloriosa Rede Globo decide expandir a novela Caminho das Índias por mais duas semanas. O protagonista do meu curta está na novela, inviabilizando a nossa filmagem nos dias 31 de Agosto, 1 e 2 de Setembro. Só poderíamos rodar no meio de Setembro. Obviamente, isso não era culpa do protagonista que apenas cumpria seu contrato com a Globo, mas a necessidade de remarcar o filme deu uma quebra na produção.
Todos no filme estão trabalhando “por amor” (termo atenuante que significa trabalhar de graça) e ao remarcar a data de filmagem, o ritmo de trabalho de todos parou por completo. A culpa disso é única e exclusivamente minha.
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Justamente no dia em que escrevi pela última vez neste blog, fui para a minha famigerada pelada. Eu sou um convicto perna de pau, mas mesmo assim, insistem em me escalar como centro avante. Isso se deve ao fato de um inspirado e milagroso dia em que permaneci na banheira e marquei quatro improváveis gols. Eis que ao disputar uma bola bruscamente, como se estivesse num campeonato profissional, piso errado e deposito o peso do meu corpo em cima do pé esquerdo. Fratura!!! Para aqueles que não me conhecem, sim, sou eu na foto que ilustra esta postagem. A vida imita a arte visto que o personagem do filme está com a perna quebrada e anda de muletas durante todo o filme. Pelo menos agora consegui a muleta que precisava para o filme…
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Meu pai tinha marcado uma viagem para que nós fossemos à Argentina ver o jogo do Brasil. Coincidentemente estava marcada para o dia 3 de Setembro, um dia depois do que seria a filmagem. O filme estava cancelado momentaneamente e não deixaria que um pé quebrado me impedisse de viajar.
Fui, subi o estádio de muletas, gritei, pulei igual Saci com os gols históricos da seleção e só não dancei tango porque aí já seria demais. Voltei com as mãos quase em carne viva por causa das muletas e hiper-cansado. Meu pé latejou por uma semana que fiquei na cama sem vontade sequer de ir ao banheiro. O curta que tentava rodar desde o começo do ano estava adiado novamente. A imobilidade me trouxe a um estado de semi-depressão. Me lembrei muito de 8½, filme de Federico Fellini em que um diretor de cinema em crise da meia-idade não consegue rodar um filme. Ele enrola o produtor e os atores e o filme nunca acontece.
Hoje me lembrei também de um filme pouco visto chamado Coração de Caçador (White Hunter, Black Heart), o primeiro filme que vi com Clint Eastwood. Vagamente inspirado na filmagem de Uma Aventura na África (African Queen) dirigido por John Huston, Eastwood interpreta o diretor que abandona as filmagens constantemente para caçar elefantes na África. O rosto de Clint na última cena do filme (talvez sua melhor interpretação facial de todos os tempos) passa toda a sua decepção com o mundo cinematográfico e com sua pouca vontade de estar ali dirigindo aquele filme.
Numa escala infinitamente menor, sinto-me várias vezes “deprimido” com meus projetos. As dificuldades e obstáculos que consistem rodar um filme me colocam à prova o tempo todo. “Caramba, já tenho 30 anos”, repito em minha mente. Acho que isso se deve ao fato de nunca ter realmente experimentado o gosto do sucesso. Não o da fama, mas o sucesso comigo mesmo, de me sentir querido como artista. Já participei de festivais e meus filmes sempre foram bem recebidos pelo público, mas falta algo…
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Minha barba é rala e cheia de falhas. Quando fico com preguiça e não a faço, é uma visão ridícula. É como aquele bigodinho ralo de mexicano que os adolescentes adoram exibir. Decidi não fazer a barba até que consiga rodar o filme. Ontem, a mulher do protagonista me perguntou se era promessa. Não, é castigo mesmo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Calvário Feroz: rough cut do corte bruto sem TubarÕeS. Parte V


George Lucas mostrou um rough cut de Star Wars a um grupo de cineastas. O corte bruto significava que o filme estava montado numa sequência lógica mas sem preocupações com transições suaves ou cenas demasiado longas. Nesse corte também não estavam incluídos nenhum dos efeitos especiais, que foram substituídos por cartelas com fotos ilustrativas. Foi a galhofa. Os cineastas acharam ridículo. Sem ver os efeitos especiais, Steven Spielberg, foi o único na platéia, que achou que o filme seria um sucesso.
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Já rodei oito planos sequência completos em dois dias de ensaios com câmera. Usei meu assistente nos três primeiros planos e depois meu produtor, o diretor de arte e sua assistente. A patota toda que me atura. Todo mundo fala ao mesmo tempo, executam interpretações questionáveis, brincam. Tudo está valendo porque o que importa é a cronometragem e a movimentação de câmera. Desde que façam a ação, tá tudo certo. Quando vejo os ensaios em casa, rio de algumas partes. Acho que quando o filme estiver na lata, vou me rir muito mais. Creio que um leigo que visse tal encenação, nunca acharia que um filme poderia sair dali. Não o censuraria.
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Tenho visto Janela Indiscreta para ver a técnica do Hitchcock de criar tensão e suspense através de planos longínquos. Os olhos de James Stewart passeiam pelos apartamentos vizinhos em longos planos sequência. As ações têm que ser firmes para que à distância o público possa compreender. Tudo tem que ser marcado e claro. Lento. Nos nossos ensaios, à distância não vejo direito o diretor de arte e sua assistente que interpretam uma mulher e seu carrasco no filme. Eles estão bem longe da câmera e ela leva um tapa e é arrastada para dentro da mata. O fato dos dois não serem atores e ficarem completamente estáticos, não ajudou. Preciso dos atores. Só que o ator principal está gravando o final de uma novela e o outro ator está em São Paulo. Sinto numa escala microscópica o que os estúdios de Hollywood passam quando têm que adiar seus filmes porque os protagonistas ainda estão em outros projetos. Mas não posso reclamar, visto que todos estão fazendo o filme por amor e confiança. Mas, mesmo assim, me sinto como o Spielberg rodando Tubarão sem o tubarão. O tubarão vivia dando problemas, por isso Spielberg apelou para sua criatividade e fez um filme onde o tubarão quase não aparece. Ensaiemos sem os tubarões, então.
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Creio que se mostrasse os ensaios para um Spielberg brasileiro, ele diria que este vai ser o meu melhor filme. Não o censuraria.
Foto Garota e Tubarão por Mike Berceanu.
Quadro "Watson and the Shark" por John Singleton Copely.
Quadro "Watching the sharks at Monterey" por Benoit Philippe.
Spielberg e o Tubarão por Universal Pictures.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Comentário Lampejante

Para qualquer lugar que vá, olhe, circunde e me aproxime, ouço Michael Jackson. Tem uns 18 anos que não vejo o cara tão popular.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Vim, Vi, Curti (ou NãO)



KINO- Se, Jie/Lust, Caution/Desejo e Perigo, dir. Ang Lee, USA/China/Hong Kong/Taiwan, 2007.


Tony Leung arrebenta como sempre. Um protagonista sombrio e silencioso como só ele sabe fazer. O filme é primoroso em todos os aspectos técnicos. Se não fosse a longa duração, seria uma obra prima.




KINO2- À Deriva/Adrift, dir. Heitor Dhalia, Brasil, 2009.

Uma diferença fundamental entre Heitor Dhalia e a maioria dos cineastas brasileiros, é que ele faz filmes universais enquanto os outros fazem filmes regionais. Nota-se isso logo na abertura de À Deriva. A música, os enquadramentos, ações que dispensam palavras. Poderíamos transportar a narrativa para qualquer lugar do mundo que o filme seria o mesmo. À Deriva é bom, mas não chega a ser genial como O Cheiro do Ralo. Parece que o diretor decidiu fazer algo mais light para descansar do clima pesado de seu filme anterior. Acertou na mosca. Um filme sensível, calmo e honesto. Dhalia é o cineasta brasileiro mais excitante desde que Fernando Meirelles apareceu com Cidade de Deus. Aguardo ansiosamente seu próximo filme e tenho muita curiosidade em ver seu filme de estreia, Nina.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Prozac da Semana

Trabalhei durante algum tempo da minha vida vendendo quadros. Serigrafias, Óleos, Posters, Aquarelas. Já vi muita coisa. De Vermeer a Kandinsky. Há muito tempo não via um trabalho tão interessante e inspirador (aberrante também) como o de Ray Caesar. Um amigo viu num blog, eu vi no blog dele e apresento agora no meu blog. Numa semana atarefada, o trabalho desse artista foi o Prozac que eu precisava. Ray Caesar é puro cinema.

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